Semana passada tivemos enchentes na região de Beira em Moçambique e infelizmente, as nossas crianças e suas casas foram afetadas.

Graças a Deus desde então tem feito mais calor e as coisas estão voltando ao normal. Hoje, as crianças agradeceram a Adonai pela vida e pelos materiais escolares que receberam. O volta às aulas ganhou mais estímulo! 😇

Peço que continuem orando pelo projeto, graças a Deus todos encontram-se com saúde e muita alegria para prosseguir. Aos que desejarem ajudar com algo, entrem em contato.

Shalom. 🙌🏼

We had a tough time last week dealing with the flooding in Beira. Some of our children and their families were much affected by the critical weather. However, a couple of days later, things went back to normal. Their homes were fixed and they are happy as always.

Today, the children received school supplies to begin their first day at school. They are excited to go back to school and very thankful for everything.

Thankfully, everyone is safe and healthy, happy to carry on living. If you feel like donating or helping somehow, please get in touch.

Have a lovely week.

Ticiele de Camargo ©️

#mozambique #dondo #onelove #tdc

Crianças agradecendo e recebendo material escolar. TDC
“Faith is always a victory”

Londres. 5:29 da manhã. Fazia 2°C lá fora. Acordei ouvindo uns gritos, levemente despertei do sono tentando entender o que os gritos diziam.

⁃ JÚNIOOOR! VOLTA AQUI, JÚNIOR! PELO AMOR DE DEUS! VOLTA AQUI, NÃO NÃO, PELO AMOR DE DEUS! NÃO FAZ ISSO COMIGO!

Gritou a donzela Brasileira. Identifiquei a voz, língua e a mensagem, pensei que fosse apenas farra de jovens, voltei a dormir. (Minto: tentei pegar no sono de novo.)

⁃ JUNIOOOR!! PÁRA! NÃO! PÁRA! PELO AMOR DE DEUS PARA COM ISSO!

O “pelo amor de Deus” sendo usado repetidamente me despertou, e o “Para com isso” me deu uma injeção de curiosidade fora do normal. Mais que o próprio nome, Júnior, qual já havia facilmente memorizado. Desconfiei que ela estivesse em apuros.

Então levantei os cobertores, aqui tem feito muito frio. Com dificuldade, fui levantando os cobertores. Digo com dificuldade por conta do aconchego maravilhoso da cama quentinha e segundo, porque minha gatinha (que por sinal está uma bola de gorda) dormia em cima dos meus pés.

Acabei pensando rápido: “Talvez a moça está em perigo!” Dei um pulo, senti o chão gelado e abri a cortina:

E lá estava ela: A donzela da madrugada gritante, de vestido preto de mangas compridas e brilhantes, sem sapatos, sem blusa. Calambeava correndo (tentando correr) atrás do tal do Júnior que, por sinal, também se sentia num país tropical: camiseta curta branca, jeans e tênis.

Ela corria atrás dele. Ele corria dela. Na mesma dinâmica entre gatos e ratos. Ela, a donzela felina, da madrugada animal. E Ele, o ratinho perfeito.

Até que nessas condições cambaleantes, sob álcool e muita disposição olímpica a correr, ela tomba no chão. E ele, flexível e companheiro, ao vê-la chorar de rir, volta e senta ao seu lado.

Se entreolham. E, por algum motivo nesse fantástico universo feminino, (que apenas nós mulheres entendemos) toda a tensão da donzela é manifestada através de tapas. Pobre Júnior.

Muitos tapas. Leves tapas; as mãozinhas em movimento muito nos ensinava sobre a parceria da cachaça com o amor e raiva.

Ri em silêncio.

Ele cruza os braços, malhados por sinal, encolhe-se num segundo protegendo-se dos ataques da donzela indomável. Agora quem gruta por socorro é ele.

Eventualmente, a donzela indomável cansa. Se entreolham novamente, já sentindo o despertar da raiva e paixão que pairava sobre eles. Então se abraçam. E se beijam.

Como numa peça de teatro Shakespeariana, The Taming of the Shrew – A Megera Domada – escrita em 1596 – assim terminou a minha noite de sono.

A coisa boa é que, há um mês atrás assisti a peça no Barbican Centre, aqui em Londres, pelo Royal Shakespeare Company. Já nessa madrugada, pude recapitular alguns pontos (que já havia esquecido) de forma totalmente gratuita e com uma dinâmica naturalmente fantástica.

A vida como ela é! ❤️ 😂 🐭 🐈

Ótima semana a todos!

Existem muitas histórias de rainhas que passaram pela terra deixando legados incomparáveis. Umas foram casadas com reis de outros nacionalidades, outras participaram de guerras, outras foram estéril, outras, estavam mais perdidas que bandido em tiroteio. Não sei qual rainha exatamente vem a sua mente ao ler isso mas, certamente não será a mesma que vi com meus próprios olhos.

Fui chamada a trabalho para enfermaria de um certo hospital (já tem um tempo) para dar assistência a uma velha senhora, chamada Clara.

Clara tinha 91 anos. Não apresentava nenhum problema de saúde. Mas havia, infelizmente, caído em sua casa (ao descer as escadas de sua casa, esqueceu de segurar no corrimão). A queda acabou comprometendo suas cambitinhas. Apesar de sua idade já avançada, Clara demonstrava muita vontade de viver. E por incrível que pareça, as pernas machucadas não a incomodavam em nada.

Mas algo diferente passou a incomodar. Ao chegar no hospital para ter seus primeiros curativos, Clara se deu conta de algumas coisinha: o seu chapéu vermelho não estava mais nas suas coisas e seu espelho de bolsa também não. Isso trouxe grande insegurança a ela e tumulto a equipe de enfermeiros pois, Clara, insinuou que um deles havia pego seus preciosos pertences.

Até que eu cheguei para trabalhar e a conheci. Ao perceber que falava português e não inglês como todos no Hospital, Clara começou a desabafar de forma impaciente e enfática comigo.

– Não sei que raios meu chapéu e meu espelho de bolsa sumiram! Deve ter sido um deles que pegou, pois! Podes perguntar a eles onde está o meu chapéu e o meu espelho de bolsa? Eu já perguntei e eles dizem que não sabem! Mas sei que está lá, está lá nas coisas deles!

Enfatizei que poderia perguntar porém não dei muito espaço para conversar sobre aquilo pois meu tempo ali era curto.

Fiz o meu trabalho naquele dia e voltei na semana seguinte.

Ao entrar no departamento ao qual a dona Clara estava, passei por um longo e gelado corredor de paredes verdes claras. Avistei de longe algo bem atípico, qual me chamou a atenção: estava ela de costas, sentada na cadeira, em frente a porta do seu quarto com um chapéu gigante alto e branco em sua cabeça. Falava sozinha de forma impaciente, dando ordens aos enfermeiros em Português.

Ao notar o meu leve sorriso no rosto, a enfermeira me encontrou no meio do corredor e disse de forma bem entusiasmada:

– Oi! Que bom que você voltou pra dar assistência para a Rainha Vitória!

Eu respondi rindo:

– Rainha Vitória?!

– Sim, desde semana passada ela insiste dizer que pegamos o chapéu dela. Mas o próprio filho já disse que está em sua casa. Então como uma outra paciente havia esquecido aqui, resolvemos dar a ela esse chapéu. O único porém é que agora, ela se parece com a Rainha Vitória! Ha! Ha! Ha!

Achei cômico e me acheguei a dona Clara. Toquei no seu ombro e a cumprimentei.

– Que chapéu bonito, hein, dona Clara!

– Tais a ver, esse é o meu chapéu que eles haviam pegado, que raios os partam pois pegaram e esconderam de mim. Tais a ver, esse meu chapéu é muito bonito, olha! Pegou no chapéu, se sentindo muito feliz e sorriu para mim.

Os enfermeiros riam de longe ao notar a satisfação da dona Clara. Eu me divertia com sua companhia, dona Clara já havia vivido de tudo, tudo o que eu nem imaginaria viver, estar ali era um presente para o meu dia.

Com isso, pude ver que as vezes, a dor do esquecimento traz novas oportunidades. Essa que comprometeu as pernas da Dona Clara por um mês mas que felizmente, sararam.

Essa que, apesar de muito vivida e irreversível (idade + esquecimento) foi tratada de forma leve e divertida, tirando risos de todos e inclusive da Dona Clara.

Que possamos ser criativos em meio as dores! E que possamos trazer luz e alegria em meio ao esquecimento!

Tenham uma ótima semana. ❤️

#tdc #ticieledecamargo #vde1 #vde2 #creativewriting #reflectivepiece

Há pouco comecei a ler a clássica obra de Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes.

Nos primeiros capítulos me via passeando pelas ruas milenares do interior da Espanha, em especifico a região de La Mancha, Toledo, supostamente cidade natal do Dom Quixote. Pude ver as expressões faciais das pessoas ao vê-lo passar por seus vilarejos, a noção de desconfiança e descrédito no ar.

Digo isso pois Dom Quixote saiu de sua cidade com nada além de partes de armaduras quais havia encontrado por lá, de forma esporádica e muita coragem.

As pessoas ao vê-lo, riam, não conseguiam aceitar uma armadura sem padrão, cheia de remendos; cores diferentes, algumas partes mais ofuscadas que as outras. Não fazia um conjunto. Não fazia sentido. Mas, para o homem mais corajoso da literatura Cervantes, tudo valia a pena.

Não tenho tempo e espaço para dar continuidade a essa análise, é uma obra intrigante extensa. Mas admito que a *coragem* de Dom foi o que me prendeu de maneira peculiar.

As armaduras diferentes que Dom usava, nos ensina muito sobre Dom e sua humildade de caráter. O que podemos tirar dessa alusão literária? Essas armaduras são as que nos equipam para a luta de cada dia, são as nossas experiências de vida que conquistamos ao decorrer da vida, nos tropeços e balanços, nos acertos e conquistas. Peças de um quebra-cabeça chamado Vida.

A objetividade de Dom e certeza de onde deveria chegar fez com que ele selecionasse as pessoas que deveria se relacionar e criar vínculos. Isso nos ensina que Dom era objetivo, mas não esnobe. Conversava com todos. Caminhava com quem ele escolhia.

É também notável o grande orgulho de Dom pelas suas raízes, seu povo, sua cidade. Seu orgulho não o tornava superior a outros mas, fazia questão dessa menção em forma honrosa. É admirável isso nos dias de hoje.

É incrível como ainda lutamos, brigamos para que outros nos aceitem como somos.

E o mais incrível, pejorativamente falando, é que quanto mais somos seguros de nós, mais incomodamos os outros.

É por isso que escrevo isso.

Você leitor, talvez tenha muita coragem dentro de si. Talvez venha ouvindo ou passando por desfeitas e momentos de descrédito em relação ao seu potencial, ao seus objetivos, aos seus princípios e raízes.

Continue nessa coragem.

Dom Quixote só se destaca até hoje como o grande Dom Quixote, porque nunca abriu mão de nenhum desses fatores. Em outras palavras, não desviou dos seus objetivos porque não se encaixava nos parâmetros que a sociedade daquela época impunha.

E todos que vieram contra seu jeito de ser, não conseguiam entender que o verdadeiro significado de coragem. A coragem não é a que o mundo ensina: a força, a tapa, a gritos, desrespeitando e desmerecendo o ser humano.

Mas sim, como a HUMILDE coragem de Dom.

A humilde coragem que não vê aparências, não vê altura, não vê classe social. Não faz comparações. Não desiste.

O que isso nos ensina? será essa humilde e linda coragem que, além de nos dar um estímulo gigantesco, nos proporciona objetividade, determinação, persistência e sabedoria.

Dom não se rendeu. Não esmoreceu diante da vida. Muito menos se abriu a pessoas que mal o conheciam. Não permitiu que pessoas de fora palpitassem a respeito de sua jornada. Simplesmente seguiu seu trajeto, de forma humilde e corajosa.

Portanto leitor, seja corajoso(a), mas seja um corajoso *humilde*!

❤️

Era cedo. Estava esperando a minha vez para ser chamada, sentada na recepção. Chegou uns conterrâneos conversando alto e acharam um lugar pra sentar. Um deles estava com a perna bem machucada, só conseguia caminhar com o uso de duas muletas.

O que estava com a perna machucada, sentou próximo a porta que dava acesso ao corredor daquela instituição. Era, entanto, o pior lugar para sentar pois o uso daquela porta era gritante.

Uma senhorinha, corcunda dos cabelinho brancos enrolados, passou pela porta e ao passar ao lado da perna do rapaz, sem querer encostou de leve no seu . O rapaz gritou:

– QUE INFERNO! Não consegue ver minha perna aqui? 

 A senhorinha e todos nós que aguardávamos naquele local, ficamos estarrecidos com o grito repentino do rapaz. Ela, muito sem graça, se desculpou e foi embora. O clima do ambiente mudou.

Nisso, os que acompanhavam o rapaz perguntaram a ele o que havia acontecido, pois estavam mexendo no celular e não viram absolutamente nada.

– Ela pisou no meu pé, cara. Que velha cega do caramba!

– Caraca! Ela pisou? Ah não, não acredito… que ridícula! 

 Uma outra pessoa também havia visto que a senhorinha NÂO havia pisado mas, encostado de forma leviana no pé do rapaz. Assim como eu vi. Ficamos caladas com uma baita cara de indignação.

A mentira não parou por aí.

Outro rapaz entrou na sala de espera, era conhecido deste que foi vítima de um encostar tão violento (ironia) e o cumprimentou. Os acompanhantes fizeram questão de relatar o caso que havia acontecido. A reação dele não foi diferente: ‘’Que velha sem noção!’’.

Aquela manhã me fez refletir.

A mentira tem perna e é toda machucada. A mentira, procura pessoas que acreditem no seu pisar, mesmo que este pisar não se encontre em estado perfeito, saudável e firme. A mentira é enganosa, ela aumenta, ela vitimiza, ela anseia por algo que ela sozinha jamais será: verdadeira. Ela desrespeita até o destino. E infelizmente, ela faz das pessoas mais vulneráveis as suas muletas operantes. 

Cuidado com a ela!

Ótima semana a todos. 🙌🏼

#tdc #reflection #writing #ticieledecamargo #vde1 #vde2 #

 

 

 

Eu sai do trabalho e resolvi passar no mercado rapidinho. O rapidinho comigo, é rapidinho mesmo: vou direto no que preciso, pago e vou embora. 

Chegando na sessão dos congelados, vi um sorvete em promoção. Manteiga de Amendoim? Esse sabor é novo, deve ser maravilhoso! Pensei comigo.

Então, ouvi um senhor me chamando. Vestia um paletó de linho azul marinho, barba feita, camisa azul marinho de linho por baixo, calça de linho bege. Certamente se informou noite passada que no dia de hoje faria 27C e, acabou se preparando para isso. Ele disse:

– Com licença, posso te pedir uma opinião? 

Respondi que sim. O senhor continuou, com um ar de preocupado: 

– Eu não tenho costume de comprar nada congelado pois minha geladeira é pequena e o compartimento do freezer também… saberia me dizer se eu comer uma porção disso hoje, poderei mantê-lo na geladeira? 

Ele tinha um pacote de espinafre congelado em mãos.

– Pode manter na geladeira se pretende comer ainda essa semana. Caso contrário, é bom congelar. 

– Bom, eu vou comer uma porção pequena por dia… 

O pacote congelado de espinafre seguia o ritmo do balancear das suas mãos. 

Continuou:

– Acho melhor eu não levar. Acho que até chegar em casa já derreteu tudo! 

– Se ficar exposto ao sol, irá descongelar rapidinho.

– Em uns 30 minutos, você acha? 

– Acho que sim, tá bem quente hoje… mas, por quê o senhor não leva o espinafre fresco? Se vai comer um pouco por dia, um pacote é suficiente. Além de fresco, mais saudável, também é mais barato!

 

Os olhos que antes pareciam bem preocupados, agora, sorriram pra mim. 

 

– Bem pensado! Tá vendo? Poderia ter perguntado pra qualquer outra pessoa e talvez ela não me desse uma ideia tão boa quanto essa! Muito Obrigado, moça! 

– Magina! Tenha uma boa tarde! 

Além de sua dúvida ter sido respondida, deu para perceber que, o fato de ser ouvido e se sentir entendido foi o que trouxe mais alegria no dia daquele senhor.

Não foi o espinafre congelado, fresco, mais barato ou não. Foi o ato de se socializar. O funcionário do mercado estava atrás dele desencaixotando produtos. Mas talvez não demonstrou interesse ou sensibilidade para ajudá-lo.

Sempre tem gente a nossa volta precisando de uma conversinha, mesmo que pareça boba. De uma opinião, mesmo que pareça uma coisa muito óbvia e fácil de ser resolvida. Principalmente idosos.

Um minuto da nossa atenção mudará o dia delas para melhor. 

As nossas mentes estão exageradamente distraídas hoje em dia. Temos notificações constantes nos nossos celulares. Temos nossos cérebros processando informações de conversas, jornais, músicas, comentários, comentário dos comentários, o tempo todo. E isso, tem se propagado de forma tão natural que perdemos a essência, a vontade, a paciência de ouvir, a nobreza em ajudar. 

Em 2016, a equipe de marketing da empresa Lipton, fez um comercial muito tocante. O comercial analisava o comportamento das pessoas nas ruas em Portugal. Câmeras filmavam situações que poderiam ter sido resolvidas por pessoas que passavam por .

Surpreendentemente, a maioria das pessoas estavam distraídas e/ou presas em seus próprios mundos, onde deixaram passar batido oportunidades de servir, ajudar ao próximo.

Apesar do vídeo ser de 2016, a ideia do vídeo da Lipton ainda continua em pé: precisamos despertar!

Estamos super conectados no mundo virtual, mas perdemos, a cada dia que passa, a conexão mais linda que existe: humana

Que tal mudarmos isso?

🙌🏼 🙂

#tdc #reflection #creativepiece

 

Entrou no ônibus, a mãe e o filho. A mãe já entrou se virando nos trinta, colocando as sacolas na parte das sacolas e o carrinho do menino dobrado, na parte de malas. Sentou e colocou o pequeno no seu colo. Suas panturrilhas estavam expostas e em forma. Sua curtas pernas faziam de tudo para apoiar no chão e equilibrar o menino. Ao lado deles, uma senhora com uma bolsa de couro vermelho.

Os olhos do menino focados e imediatos:

⁃ Mãe, o que é isso?

Aponta para a bolsa da senhora. A mãe continua mexendo no celular. A senhora olha de canto para a mãe e da um sorriso leve para o menino.

Não satisfeito com o silêncio, continuou:

⁃ Mãe, o que é isso?

Apontando com o dedinho indicador, tocando levemente a bolsa vermelha.

Nada de resposta.

⁃ Mãe! Mãe, o que é isso?

Tocou o dedinho e começou a sentir o couro da bolsa, o relevo, o escorregar entre uma parte e outra. Explorou em pequenos segundos um conhecimento de grande tamanho. A textura.

A senhora, ao lado, pergunta:

⁃ Você tem dois anos?

O menino, com carinha de muito satisfeito ao ouvir algo relevante e reconhecível a sua experiência de vida, faz o número dois com os dedinhos.

A mãe então percebe uma voz distinta no ambiente, a senhora ao lado puxando assunto com o seu filho. O alerta foi enviado a mente da mamãe, que agora, finalmente responde:

⁃ Sim, dois anos!

E voltou a escrever no celular.

O menino da memória infalível, sorri e, com os dedinhos abertos mostrando o número dois, não perde a vez:

⁃ Mãe, o que é isso? voltou para a primeira questão, a bolsa.

⁃ É uma bolsa, filho.

⁃ Não mamãe, é vermelho! vermelho!

Eu, sentada próxima ao motorista, assistindo tudo de primeira mão, refleti:

Como crianças, ingênuas, puras, precisamos do silêncio, este nos permite explorar a situação.

Como filhos, achegados de Deus, precisamos da última palavra Dele para esclarecer, trazer sentido as nossas dúvidas. Mesmo que diante dos nossos olhos…apenas o detalhe da cor seja perceptível.

Mesmo que Ele, pareça “entretido” ou “ocupado” demais para nos responder, Ele está conosco em todo o tempo.

Que tenhamos a persistência dessa criança e que o nosso seguro, esteja sempre no colo Dele.

Um ótimo fim de semana a todos.

Ticiele de Camargo ©️ 25/05/2019