Entrou no ônibus, a mãe e o filho. A mãe já entrou se virando nos trinta, colocando as sacolas na parte das sacolas e o carrinho do menino dobrado, na parte de malas. Sentou e colocou o pequeno no seu colo. Suas panturrilhas estavam expostas e em forma. Sua curtas pernas faziam de tudo para apoiar no chão e equilibrar o menino. Ao lado deles, uma senhora com uma bolsa de couro vermelho.

Os olhos do menino focados e imediatos:

⁃ Mãe, o que é isso?

Aponta para a bolsa da senhora. A mãe continua mexendo no celular. A senhora olha de canto para a mãe e da um sorriso leve para o menino.

Não satisfeito com o silêncio, continuou:

⁃ Mãe, o que é isso?

Apontando com o dedinho indicador, tocando levemente a bolsa vermelha.

Nada de resposta.

⁃ Mãe! Mãe, o que é isso?

Tocou o dedinho e começou a sentir o couro da bolsa, o relevo, o escorregar entre uma parte e outra. Explorou em pequenos segundos um conhecimento de grande tamanho. A textura.

A senhora, ao lado, pergunta:

⁃ Você tem dois anos?

O menino, com carinha de muito satisfeito ao ouvir algo relevante e reconhecível a sua experiência de vida, faz o número dois com os dedinhos.

A mãe então percebe uma voz distinta no ambiente, a senhora ao lado puxando assunto com o seu filho. O alerta foi enviado a mente da mamãe, que agora, finalmente responde:

⁃ Sim, dois anos!

E voltou a escrever no celular.

O menino da memória infalível, sorri e, com os dedinhos abertos mostrando o número dois, não perde a vez:

⁃ Mãe, o que é isso? voltou para a primeira questão, a bolsa.

⁃ É uma bolsa, filho.

⁃ Não mamãe, é vermelho! vermelho!

Eu, sentada próxima ao motorista, assistindo tudo de primeira mão, refleti:

Como crianças, ingênuas, puras, precisamos do silêncio, este nos permite explorar a situação.

Como filhos, achegados de Deus, precisamos da última palavra Dele para esclarecer, trazer sentido as nossas dúvidas. Mesmo que diante dos nossos olhos…apenas o detalhe da cor seja perceptível.

Mesmo que Ele, pareça “entretido” ou “ocupado” demais para nos responder, Ele está conosco em todo o tempo.

Que tenhamos a persistência dessa criança e que o nosso seguro, esteja sempre no colo Dele.

Um ótimo fim de semana a todos.

Ticiele de Camargo ©️ 25/05/2019

‘’Mãe, acho que estou grávida.’’

‘’Aí! senti umas pontadas!’’

‘’Agora está chutando!’’

‘’Que rostinho lindo!’’

‘’Bebê guloso! Ainda bem que tá rendendo leite!’’

‘’Olha, o dentinho tá nascendo!’’

‘’Que emoção, deu o primeiro passo!’’

‘’Não, não pode colocar o dedo na tomada!’’

‘’Faz carinho no auau, carinho!’’

‘’Aí que amor, falou a primeira palavrinha!’’

‘’Tá com febre, não dormiu direito essa noite.’’

‘’Já tá na hora de aprender a segurar o cocô!’’

‘’Vem que eu te ensino a limpar o bumbum.’’

‘’Multiplicação e adição são coisas diferentes.’’

‘’O que te fez sorrir hoje na escola?’’

‘’Tem que prestar atenção em tudo que o professor ensinar.’’

‘’Não esqueça de beber água e pedir para ir ao banheiro.’’

‘’Te levo no cinema se você terminar toda a tarefa de casa.’’

‘’Tirou 6 na prova? ok, mas na próxima você estuda mais!’’

‘’Tem que comer brócolis e cebola sim, são cheio de vitaminas!’’

“Não é para brigar na escola, que coisa feia!”

“Não pode bater boca com adultos!”

“Foi só um arranhão, calma!”

“Não ande descalça se tiver chovendo!”

‘’Vai acampar sem os pais, primeira vez, vê se pode…’’

‘’Tá bom, pode ir. Me avisa quando chegar.’’

‘’Não esquece de levar uma blusa.’’

‘’Orgulhosa de você, passou no vestibular!’’

‘’Tenha paciência, é só uma fase…’’

“Cuidado, beba com moderação!”

‘’Nossa, melhor arrumar esse quarto!’’

‘’Que graduação maravilhosa! Que orgulho!”

‘’Eu te ajudo com as contas, não se preocupe.’’

‘’Boa sorte na entrevista!’’

‘’Acontece, mas uma porta vai abrir, não desanime.’’

‘’Eu sabia que essa porta se abriria, que alegria!’’

‘’aí meu Deus! você vai casar!’’

‘’Tenha calma, tudo se ajeita com o tempo…’’

‘’Venha me ver, estou com muita saudade!’’

‘’Te amo muito.’’

Desde que o mundo é mundo, todos os dias é o dia das Mães.

Ticiele de Camargo ©️

#tdc #creativewriting #vde #vde2

O ônibus parou e entrei. Bati meu cartão de transporte já agradecendo ao motorista por ter parado. Escolhi sentar na frente, naqueles assentos que ficam virados de lado, próximo ao motorista.

Assim que entrei, vi que haviam outras poucas pessoas no ônibus mas, não prestei atenção, simplesmente sentei, escolhendo a minhas músicas para tocar.

Uma senhora do cabelo curto e grisalho mexe comigo:

⁃ Fala português, né?

Não entendendo o parecer da situação, olhei novamente, meio confusa (viver em cidade grande e multicultural te força a um certo individualismo, qual parece não atingir os mais velhos – eles permanecem prosa, mesmo não estando em seu país).

⁃ Fala português? Repetiu.

⁃ Sim! Respondi.

Me chamou com as mãos. Resisti uns segundos. Me chamou com as mãos novamente abrindo um sorriso sincero.

Levantei e fui. Sentei ao lado dela.

⁃ Você é da onde?

⁃ Brasil.

⁃ Eu também, sou do Guarujá!

⁃ Sou de Porto Feliz!

⁃ Ahh! Porto Feliz! não me parece estranho. Olha! (e mostrou um papelzinho com um endereço escrito à mãos trêmulas)

⁃ A senhora precisa ir nesse endereço?

⁃ Sabe como chegar lá?

⁃ Sim. Mais uns 15/20 minutos nesse ônibus. A senhora desce em frente à estação e caminha duas quadras descendo a rua no sentido contrário ao caminho que o ônibus fez.

⁃ Oh, que maravilha! Obrigada! Sabe o que estou indo fazer lá?

A pergunta foi direcionada aos meus ouvidos com muito ânimo, havia um certo ar de novidade em seus olhos. Me intrigou profundamente.

⁃ Não, o quê?

⁃ Estão recrutando para trabalhar nos jogos de verão, lá no estádio de cricket. Trabalho há anos no estádio do Arsenal. Eles amam o meu trabalho!

⁃ Sério, que bacana! parabéns!

⁃ Sabe quantos anos eu tenho?

Seu olhar novamente me desafiou.

⁃ Poxa, não tenho ideia… mas a senhora é forte, posso ver isso!

⁃ Pois eu tenho 76 anos!

Por um segundo, imaginei tudo o que aqueles olhos presenciaram: eventos históricos, mudanças na política, na sociedade e claro, na mente.

Me veio uma vontade enorme de perguntar tudo o que sempre perguntei à minha avó a respeito desses fatos, simplesmente por perguntar, questão de aproximação. Nem todos os livros não me aproximam da realidade histórica que persiste no olhar dos anciãos. Por isso gosto de ouvir as histórias deles. Elas expõem as coisas não escritas. Achei melhor não perguntar. Comentei:

⁃ Poxa, 76 anos! a minha avó tem mais ou menos a sua idade e, infelizmente, não está tão forte quanto a senhora.

⁃ Pois não consigo ficar parada em casa sem fazer nada!

⁃ Está certíssima. Se tem força e saúde, pra quê ficar parada, né?

⁃ Exatamente. Estou aqui há pouco tempo mas fiquei em outro país europeu por doze anos, trabalhava de segunda a domingo. Sabe o que é isso? É muito puxado mas não conseguia ficar parada.

⁃ Imagino que tenha sido bem duro mesmo.

Notei que estávamos chegando ao lugar que eu precisava descer. Então reafirmei sobre a localização que ela precisava descer e a assegurei que não seria muito longa a viagem. Ela segurou minha mão, sua mãozinha era macia, igual da minha avó. Me agradeceu e deu a sua benção.

Depois de 2 horas, peguei o mesmo ônibus voltando para casa. E surpreendentemente, encontrei com a mesma senhora. Fui direto a direção dela e sentei do seu lado.

⁃ Minha filha, que coincidência, você de novo!

E colocou a mão na testa em surpresa.

⁃ Deu tudo certo por lá? perguntei.

⁃ Graças a Deus, deu tudo certo! Tem muita gente esperando ser recrutada, sabe? Mas a minha vaga foi garantida!

⁃ Ah, que bom! Muito bem!

⁃ É! Menina, estou vendo aqui receita de biscoito de nata com leite ninho. A minha amiga fez e disse que nunca mais fará pois não conseguiu parar de comer, ha ha ha!

⁃ Haha! Nossa, deve ser uma delícia mesmo, hein?!

⁃ Sim, eu vou chegar em casa e fazer!

O meu ponto de descer chegou. Trocamos telefone antes disso. Ela me deu um outro papelzinho, escrito com mãos trêmulas, o seu próprio número de celular. Carregava na bolsa, naqueles bolsinho internos onde também se encontra balinhas e lenço. Por mais que eu havia explicado que poderia ligar do celular dela direto no meu celular e, assim salvaríamos os números, ela insistiu com o método do papelzinho.

Nos abraçamos para despedir e então, desci.

Estou a 5,908.43 milhas da minha Avó.

E o amor de Vó nunca esteve tão perto como ontem.

Ticiele de Camargo ©️ 09/05/2019

E houve luz.

Houve comunhão,

A trindade em um,

O perdão pregado na cruz e

O espetáculo da ressurreição.

Também houve trevas,

qual tentou apagar o brilho.

Em meio a loucura, solidão e névoas,

Essa deixou o homem perdido em trilhos.

Numa prisão de abismos e empecilhos

Onde via se gatilho como escape

Rejeitando o amor de filho

e o amor ágape.

A humanidade viu nascer,

Crescer, morrer e ressurgir a Luz perpétua.

Mas seguiu

na razão, pelo poder e glória.

Tendo como a única saída um grande embaraço,

distinto do verdadeiro triunfo da vitória.

A luz que outrora brilhava

A luz que outrora guiava

Hoje,

A razão empurrou ao beiro

E guia o homem sem respeito

Mas essa luz ainda existe,

E pela humanidade persiste.

Até que ontem e hoje e o futuro

Retornem a esse porto seguro,

Até que gerações se entendam –

Sem rasgar o verbo por meros rascunhos e se vendam,

Por pedacinhos de opiniões –

Que a sabedoria eterna

Resplandeça na escuridão da miséria

Como fora em Gênesis,

E que haja luz.

Ticiele de Camargo ©️ 2019.

Oie!! essas fotos são de hoje cedo, o Sr Domingos me enviou. Nas fotos podemos ver a distribuição dos alimentos comprados com as arrecadações e também, a celebração por mais um dia de vida. Hoje tivemos na faixa de 70 crianças participando conosco.

Photos from this morning, sharing the food with the locals and celebrating one more day of blessings and joy. Today we had around 70 children taking part of our service at the small church.

Keep praying for Mozambique.

“Faith is always a victory.”

Shalom ❤️🙏🏼🇲🇿

#tdc #helpmozambique #sosmozambique #soschidren #agape #onelove

Crianças e distribuição de alimentos Sharing the food with the locals and enjoying the service.

Cordeirinho da páscoa, que trazes para mim?

Vida eterna e graça, simples assim.

Cordeirinho da páscoa, o que você fez?

A cruz, eu venci, por amor a vocês.

A cruz, eu venci, por amor a vocês.

A cruz, eu venci, por amor a vocês.

Ticiele de Camargo ©️ 21/04/2019

Peak District, by TC©️
If you see it, you know it. If you know it, you’re free! Tc©️